Frequentemente nos deparamos com a velocidade com que a vida moderna se apresenta aos nossos olhos saudosistas. Ficamos em alerta com o timming das coisas cotidianas, dentre estas: a alimentação ao lazer, mas, sobretudo, no meio empresarial.
Enquanto colaboradores de organizações, ainda sim, existiria em nós um movimento de consternação quanto ao grau de exigência das respostas profissionais, nem tanto assim, se fosse esse grau exigido em tempo mais do que hábil de execução. Onde seria o ponto de comodidade?
Quando não muito, a globalização nos tenham levado a todos para um estado de eterna “Fórmula 1 empresarial”, em que cada milésimo de segundo conta e importa. Com isso, devemos considerar que os adventos do email e do celular romperam de vez com a longeva CLT aqui no Brasil, transformando as relações de trabalho em distantes, assíncronas e constantes. Há quem diga que considera normal uma jornada de trabalho de 10 horas. Para mim 12 horas são companheiras semanais, por livre escolha.
Mas devemos trazer essa discussão para o meio empresarial efetivamente, onde emana essa força motriz de tempo é dinheiro. Há muito questionamos a velocidade da execução de projetos em cronogramas ajustáveis. Procrastinação, uma palavra proibida e a ditadura do “e” (COLLINS; PORRAS, 1991) que se transforma em objeto de fascinação para grandes grupos empresariais.
Sobre esse foco, devemos alertar sobre algumas regras sutis da física, ainda que clássica. Dentre essas, tem-se que: a distância é igual velocidade vezes o tempo. Nesse registro de uma fórmula básica, que nos representa aonde queremos estar, quanto tempo devemos empreender e em qual velocidade devemos andar. Contudo, essa velocidade normalmente é definida externamente. Apenas na matriz SWOT as ameaças de outras equipes passam a ser consideradas, porque se dependesse apenas de nossas organizações o tempo de execução seria pra lá de bimestral, coisa assim.
Quando os japoneses menosprezaram o que as curvas de experiência do setor automotivo sugeriam, no final do século passado, caiu por terra o que o meio empresarial definia como exeqüível. As empresas norte americanas registraram uma crise em seu mercado doméstico, frente a um inimigo poderoso e ágil como um ninja vindo do oriente. (Hamel;Prahalad, 1989).
Dentro de um sistema empresarial aberto, normalmente indicado como setor, deve-se apresentar uma outra indicação física: o ponto de referência. Como identificar que um outro corpo está em movimento e ao mesmo tempo indicar sua velocidade? Precisamos de um referencial comum, pois se utilizarmos outro corpo em deslocamento, essa percepção cairia por terra. Se estamos a 80Km/h e outro veículo nos ultrapassa a 100Km/h nossa percepção nos leva a crer que ele apenas estava devagar em seus 20Km/h que é a diferença percebida entre as duas velocidades.
Sobre isso devemos alertar, não são outras empresas que são agressivas, ou mesmo ágeis. Somos nós que estamos devagar demais no mercado. Estamos na era da Rapidogracia.