Por que existe o medo de mudar?
Na maioria das vezes, quando se ouve o termo “mudança” no meio empresarial, instantaneamente, a palavra “desconforto” está associada. Sejam uma mudança necessária, uma pequena mudança, modificação, reajuste, nova norma ou ainda, nova diretriz. Os efeitos colaterais dessas correntes podem ser sentidos e em alguns casos vistos, até mesmo por observadores menos experientes.
Esse termo a mudança é relatado dentro da literatura empresarial como algo necessário e que em algum momento, todo gestor ou colaborador deverá ser capaz de lidar com o mesmo de forma humana e digna, sem pânico ou qualquer outra neurose empresarial que surja.
Mas por que é assim? Robbins (2008) indica que a mudança é capaz de gerar uma resistência natural nas organizações em favor da estabilidade. Em Oliveira e Silva (2006) insere-se a gestão da mudança dentro da agenda empresarial do século XXI. Já em Pinto et al (2007) relaciona-se a mudança a questões culturais de uma organização. Nesses três exemplos percebe-se um ganho de importância da capacidade gerencial em lidar com mudanças, devido a uma tendência natural do status quo. O conhecido, o entendido e o familiar parecem seduzir as tomadas de decisões futuras em prol da tradição e continuidade.
Contudo, indica-se que o estado natural de estabilidade e manutenção de padrões é algo quimérico, ilusão capaz de transformar indivíduos e organizações em expressões quixotescas de desempenho em favor da continuidade. Por mais desejável que possa ser, não existe a manutenção de resultados indefinidamente e sim a tentativa de manter os esforços em obtê-los. Não é consistente no Universo a preservação indefinida de estados constantes de desempenho sem energia mantenedora. Lutar contra essa constante universal parece absurdo em um mundo condicionado pela velocidade.
Nesse sentido, dentro do campo da Estratégia Empresarial indica-se que abordagens que, de maneira enigmática e pouco consistente, orientam organizações a mudarem frente ao caos do mundo dos negócios, com máximas como: “mudar ou morrer”. Indica-se que existem condições precisas de indicar que tais abordagens são sensacionalistas e direcionadas mais ao show bizz que do que ao meio empresarial. Mesmo que se considere incremento como sinônimo de mudança.
Na natureza o termo mudança há muito já foi cicatrizado por Darwim, quando o mesmo se refere à Evolução. Adaptações lentas, ensaios, experiências e ajustes da vida ocorrem com maior frequência do que uma mudança cataclísmica. A partir daí, deve-se perceber que uma organização e sua gestão devam trilhar o mesmo caminho. Em abordagens de consultoria empresarial em que se percebe a necessidade de evolução do atual pensamento da organização, a palavra aprimoramento do que se faz atualmente é muito mais eficaz do que a difusão da mudança. Sendo assim, chamar uma organização a aprimorar-se, a reunir suas atuais características e melhorá-las para competir em sua perspectiva de forma mais contundente, possui respostas mais positivas do que a ameaça da mudança. As organizações que se aprimoram são as que efetivamente sobrevivem no mercado e não as que tentam mudar constantemente para algo que elas não são.
Adm Eduardo Bomfim Machado
Mestre em Administração de Empresas e Consultor