domingo, 31 de outubro de 2010

A Estratégia do Fracasso


Com uma abordagem essencialmente positivista o modelo Planejamento Estratégico, vigente na maioria das empresas e na literatura, não considera a possibilidade de fracasso. As suas propostas são absolutamente hipotéticas, coerentes e convictas de resultados.

Uma vez definidas em pleno século XX, através de Igor Ansoff, que por sua vez se baseou em outras ferramentas administrativas anteriores, sobretudo a abordagem científica da administração de Taylor. Nada mais positivista do que isso, o planejamento sugere em seu plano de ação que determinadas medidas tomadas, em função de problemas levantados, possibilitarão resultados previsíveis.

Essa verificação normalmente está organizada em uma ferramenta administrativa chamada de quadro 5W2H que favorece a visualização dessas ações coordenadas nas diversas áreas das empresas em função de suas metas. Esse quadro tem esse nome devido às iniciais das palavras em inglês: traduzidas em: o quê, por quê, como, quem, onde, quando e quanto.

Aumento de vendas, aumento de faturamento, elevação da satisfação, produtividade entre outros indicadores podem ser esperados, contudo basta verificarmos em todas as empresas que fazem planejamento, os mesmos intencionam crescer em sua maioria. Mas será que há mercado para o crescimento de todas as empresas? Alguém poderá falhar ou ter ser resultado alterado.

O que se propõe aqui é a incorporação da previsão de falha ou alteração nos resultados previstos. Assim como o PDCA, que visa sempre a correção para melhoria, essa nova abordagem aproxima a ferramenta do 5W2H de uma mentalidade japonesa que observa de forma mais holística o mundo empresarial. Existem ameaças e oportunidades, mas pensar que tudo que se propor será feito da mesma forma concebida e que os resultados poderão ser antevistos, é muito otimista. Como seria um planejamento que já vislumbrasse de sua concepção o que poderá dar errado e quais outros resultados poderão ser aceitos? Mais humano não é mesmo?

Artigo Publicado no Jornal Hoje em Dia, 2010.

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