domingo, 30 de janeiro de 2011

Marketing ou Mercadologia?

Em recente evento realizado pelo CRA MG, III Encontro Mineiro de Professores de Marketing, esse tema foi abordado numa palestra proferida por mim. A necessidade principal do mesmo, para professores e demais profissionais presentes, era despertar a atenção da dependência direta que essa ciência possui em relação a autores, obras, pesquisas e demais teorias de apoio oriundas dos EUA e de uma conseqüente necessidade de abrasileirar tais conceitos e temas.

Indicamos que realmente esse vínculo de dependência não poderia ser imediatamente cortado, devido a um contexto econômico construído desde o século XIX pela Inglaterra e mantido com a hegemonia dos EUA na economia. Contudo, foi apresentado nesse evento, um painel sobre a nossa xenofilia que nos leva a cometer diversos anglicanismos dentro do nosso linguajar cotidiano e corporativo.

Somos aficionados pelo idioma inglês, sem mesmo saber do que se trata. Preferimos “performance”, à palavra “desempenho”. Ou quando a sigla inglesa TQC, foi traduzida, cometeu-se o superlativo conceitual inconsistente em dizer: controle da qualidade total, quando deveríamos dizer, controle total da qualidade. Não pronunciamos o “H” das palavras, mas somos convidados a dizer Hershey´s com sotaque novaiorquino, pronunciando efetivamente o H como R. Mas não fazemos isso com hamburger, que não foi traduzido como hamburguês, que é efetivamente o que está grafado. Tente agora dizer o plural de hambúrguer...

Essa miopia lingüística perpassa a criação de produtos aqui no Brasil já que os produtos possuem seu valor agregado quando nomeados com palavras inglesas. Vende-se no mercado de mídia, o famoso e útil “bus door”, em sua correta tradução “porta de ônibus”.

Ainda sim, essa dificuldade com o idioma inglês está refletida nos conceitos de mercado. A seguinte frase, absolutamente correta do ponto de vista teórico: “uma verticalização para frente” soa de forma estranha. Sendo um movimento vertical, deveria guardar a orientação de para cima ou para baixo, não é mesmo? Mas graças a uma péssima tradução de down stream, ficamos com essa aberração.

Finalizando, indico um despropósito do ensino de segmentação por critérios etnográficos.(e não a etnografia em si) Em países anglicanos esse conceito faz sentido. No Brasil, de Gilberto Freyre, parece que não. Quando algumas empresas em sua ficha cadastral insistem em perguntar “cor”, deixo claro que: de manhã sou amarelo, no inverno branco, de tarde vermelho e no verão sou preto.

Um comentário:

  1. Olá Eduardo.
    Antes de mais nada, parabéns pelo conteúdo. Acho nobre a iniciativa da escrita e do compartilhamento de pensamentos e idéias.

    Não tenho muito a dizer sobre o texto, mas é realmente interessante analisar como o idioma estrangeiro agrega valor por aqui. O que seria de várias músicas, como as dos Beatles, se fossem concebidas em português? Será que teriam pra nós o mesmo valor? No mínimo soaria estranho.

    Mas acredito que é uma questão cultural, então fico pensando como as coisas tendem a ser. Ainda mais depois de ver um vídeo como esse:
    http://www.youtube.com/watch?v=DMM7OJ_Kj9I

    No mais, me lembrei de um outro vídeo depois de ler seu último parágrafo, sobre as empresas que perguntam qual sua cor. Vale a mensagem:
    http://www.youtube.com/watch?v=Lebr1YlOtoU

    Então é isso. Sempre que der vou visitando este endereço.

    Um abraço,
    Guilherme Nery

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